Chovia muito naquela tarde. A cama próxima à janela nos permitia ouvir nitidamente os pingos caindo vorazes. O barulho de gotas d'água caindo do céu era a melodia que embalava o momento.
Entre nós, silêncio.
Havia muito a ser dito, mas naquele momento em especial, não era preciso. Nesses momentos o silêncio é mais eloquente do que qualquer palavra... E a gente aprende a ler nos olhos as palavras caladas.
Mergulhados na quietude de palavras, na canção da chuva, aconteceu algo que está impregnado em mim como uma de minhas melhores lembranças.
Ele me abraçou.
Simples assim. Ele-me-abraçou. Inesperadamente, ele me prendeu em seus braços. Me senti segura exatamente ali.
Pude ouvir seu coração batendo num ritmo tão acelerado quanto o meu, como se os dois estivessem dançando juntos. Sua respiração quente e ofegante se chocava contra meu pescoço e eu pude sentir espasmos percorrendo todo meu corpo.
Naquele momento ele era tão meu, e eu tão dele que eu poderia ficar assim para sempre. Mas o tempo não cessa.
A cada dia que se passava eu tinha certeza de que lembranças marcantes ocorreriam novamente, porque cada dia ao lado dele é único e essencial.
Nada se compara. Nada substitui.
Para sempre meu; Para sempre sua.
domingo, 14 de novembro de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Dear cliche,
As manhãs começam parecendo final de tarde. O céu demasiado cinza parece ter sido pintado com o tom mais forte dessa cor. O cinza aconchega-se sobre a cidade e espera sua hora de dar espaço a um azul ofuscado pela neblina que arrasta-se por todo o ambiente. Meus olhos fotografam as folhas nas calçadas e as árvores secas que parecem ter adormecido.
É silencioso e frio. Parece que o frio tem garras, e essas me prendem embaixo dos cobertores e eu não posso sair. É como se, numa metáfora ridícula, eu congelasse, e congelasse também minha vontade de... De.
Inverno, inferno
As manhãs começam parecendo final de tarde. O céu demasiado cinza parece ter sido pintado com o tom mais forte dessa cor. O cinza aconchega-se sobre a cidade e espera sua hora de dar espaço a um azul ofuscado pela neblina que arrasta-se por todo o ambiente. Meus olhos fotografam as folhas nas calçadas e as árvores secas que parecem ter adormecido.
É silencioso e frio. Parece que o frio tem garras, e essas me prendem embaixo dos cobertores e eu não posso sair. É como se, numa metáfora ridícula, eu congelasse, e congelasse também minha vontade de... De.
Inverno, inferno
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Epifania de dezembro
Há dias em que você acorda sufocando. Foi assim naquela manhã de dezembro.
A chuva costumeira de verão preenchia o ambiente e entrava pela fresta da janela; nada poderia substituir aquele cheiro. Fechar os olhos e respirar fundo fez com que eu me sentisse viva, mas ainda assim, sufocando. É o que acontece quando se vive em caixas.
É como se partir em milhões de pedaços e privar alguns da luz do sol. Essa é minha epifania de dezembro. Minhas caixas, meus vazios.
Porque quando o vento dança pelos espaços vazios, dói. Porque quando o sol e a chuva se deparam com o nada de mim, dói. Porque quando há apenas o eco de minhas perguntas percorrendo pelo nada, dói. Pois as respostas estavam onde agora é vazio, onde agora é nada.
Agora sou metade, sou parte. E parte de mim tem medo do escuro.
A chuva costumeira de verão preenchia o ambiente e entrava pela fresta da janela; nada poderia substituir aquele cheiro. Fechar os olhos e respirar fundo fez com que eu me sentisse viva, mas ainda assim, sufocando. É o que acontece quando se vive em caixas.
É como se partir em milhões de pedaços e privar alguns da luz do sol. Essa é minha epifania de dezembro. Minhas caixas, meus vazios.
Porque quando o vento dança pelos espaços vazios, dói. Porque quando o sol e a chuva se deparam com o nada de mim, dói. Porque quando há apenas o eco de minhas perguntas percorrendo pelo nada, dói. Pois as respostas estavam onde agora é vazio, onde agora é nada.
Agora sou metade, sou parte. E parte de mim tem medo do escuro.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Acho que desde que levantei essa manhã, tenho vivido mais o ontem do que o hoje. Até mesmo a primavera voltou ao passado, quando ela ainda era inverno. Eu apenas a acompanhei.
Acho que as músicas foram me empurrando para tempos mais fáceis, mas não melhores; tempos em que era mais fácil respirar, mas não havia motivos suficientes. Na verdade, prefiro ter motivos pra perder o fôlego. Num átimo, lá estava eu, lembrando-me dos meus antigos heróis; das músicas, e céus, ajo atualmente como se minhas antigas músicas fossem silêncio; das pessoas, carrego no meu indefinido ser um pouco de cada uma, como se com o passar do tempo elas fossem me moldando.
Era tão simples e tão significativo. Odeio ter que usar verbos no passado para me referir a isso. Eu tive. Eu gostava. Não... Eu amava aquilo. Eu perdi. E agora, apenas agora, eu entendo: Empatia.
Acho que as músicas foram me empurrando para tempos mais fáceis, mas não melhores; tempos em que era mais fácil respirar, mas não havia motivos suficientes. Na verdade, prefiro ter motivos pra perder o fôlego. Num átimo, lá estava eu, lembrando-me dos meus antigos heróis; das músicas, e céus, ajo atualmente como se minhas antigas músicas fossem silêncio; das pessoas, carrego no meu indefinido ser um pouco de cada uma, como se com o passar do tempo elas fossem me moldando.
Era tão simples e tão significativo. Odeio ter que usar verbos no passado para me referir a isso. Eu tive. Eu gostava. Não... Eu amava aquilo. Eu perdi. E agora, apenas agora, eu entendo: Empatia.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Vem, frio, abraça-me com teus ventos cortantes e congela este momento. Dê-me adeus e leve consigo todos os meus medos. Leve meu inverno para longe, e deixe que a primavera tome conta de mim. Chegou a hora de renascer tudo que secaste no inverno; é chegada a hora de renascer o calor da alma. E assim como uma fênix, as cores renascerão das cinzas paisagens que cultivaste.
Toma teu rumo, frio. Siga em direção ao horizonte, porque tudo que eu preciso agora é calor. Calor humano.
Toma teu rumo, frio. Siga em direção ao horizonte, porque tudo que eu preciso agora é calor. Calor humano.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O café está com um gosto levemente azul, enquanto o silêncio cheira a um azul de tom mais intenso. O vento frio, por sua vez, me abraça com seu azul escuro, quase negro. Tudo isso se mistura ao clima preto e branco do ambiente, à transparência de meus pensamentos e ao vermelho-sangue das minhas sensações corpóreas internas e externas, formando uma solidão com uma cor tão confusa quanto eu... Mas com um tom muito forte. Acho que chamarei essa cor de saudade...
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