quinta-feira, 10 de março de 2011

Keep the faith.

É algo sobre fé, e uma mistura do real e irreal.

Desde sempre as pessoas se sentem dominadas por uma fraqueza vinda de dentro. Desde sempre as pessoas procuram por uma base que as sustente. Desde sempre as pessoas precisam de uma desculpa para fatos inexplicáveis.

Mas eu não acho que, por exemplo, uma aparição numa janela em forma de uma santa seja um milagre. Acho que uma mãe solteira cuidar de três filhos e ainda ter tempo para trabalhar é um milagre. Compreendem? Sim, eu sei, há fatos ainda sem explicação, mas eu não os atribuiria a um Deus.

Eu não acredito em religiões. Acredito que isso é apenas uma forma de separar as pessoas. Sendo que algumas religiões são inaceitáveis. Como apedrejar alguém em público... Isso é algo divino? Então, de que Deus estamos falando?

As pessoas fogem de Deus enquanto está tudo bem, enquanto não precisam dele, enquanto estão dispostas a errar. Segundo a Igreja Católica, Deus perdoa tudo. E como diz Milan Kundera, tudo é cinicamente perdoado, antes mesmo de ocorrer o próprio erro – Não com essas palavras. De qualquer forma, li isso em A insustentável leveza do ser.

Deus é o desespero das pessoas em busca de soluções, quando percebem que seus esforços estão cada vez mais inúteis. Há exceções, é claro. Sempre há. Há pessoas devotas, e que fazem Deus viver em atos humanitários. Mas não é sobre Deus, é sobre a bondade de cada um. Se Deus existe, na minha opinião, ele não é o Pai-de-todos-nós, mas sim, nós mesmos. E por isso, nem mesmo deveria ser nomeado.

As pessoas precisam acreditar que haja algo mais, porque sabem que sua força é escassa, mas automaticamente – Até cegamente, eu diria – acreditar num Deus é acreditar em si, é sugar todas as forças do seu corpo, da sua mente, da sua alma, mas glorificar outro ser, esse Deus que tanto falam.

Não é sobre Deus, é sobre você e sua própria força. Não é sobre Deus, é sobre o medo de ter fé demais em si e se decepcionar. Não é sobre Deus, é sobre a escassa autoconfiança, e a necessidade de um refúgio.

Não é sobre Deus, é sobre o efeito Placebo causado pela sua força, pela sua vontade, pela sua fé.

As pessoas não percebem, mas Deus está em cada uma delas, não como outro ser, mas como elas mesmas. O lado mais forte.

Não quero que percam a fé; nada é mais saudável do que acreditar em alguma coisa. Mas deveriam abrir seus olhos internos e enxergar dentro de si. Lá vocês verão Deus, mas eu não o chamaria assim, porque ele é a união de tudo de melhor que as pessoas carregam.

Por isso eu não acredito em Deus, prefiro acreditar nas pessoas.

7 comentários:

Marco disse...

Compartilho da mesma opinião que você. O que me dá certa agonia de pensar é que após a morte tudo acabou! Daria tudo o que tenho pra poder viver mais e descobrir o que virá por aí. Pena que eu me conformo com poucos anos de existência...

Rosely disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mellory Ferraz disse...

Ótima opinião. Compartilho de uma parecida, mas adorei ver que sou inclinada quanto à sua definição de Deus ser a junção de todas as qualidades da essência humana.
Apoio o que disse, e acho muitas das coisas que disse, verdadeiras.
A fé é importante para a humanidade caminhar, mas ela só disfarça o que realmente acontece: somos tão inseguros que conferimos à um ser superior toda a nossa confiança e devoção.
Adorei seu texto!

Mellory.

Nara Sales disse...

Crítica e sutil. Gostei da sua visão sobre Deus e religiões.

E.B disse...

Você acredita em anjos?

tiago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniela Filipini disse...

Gostei do seu ponto de vista, muito bonito e realista, o que é difícil de se encontrar.